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| TRAVESSIA DA TERRA VERMELHA - UMA SAGA DOS REFUGIADOS JUDEUS NO BRASIL, A LUCIUS DE MELLO |
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* Notícias sobre as pesquisas que a equipe de Albert Einstein realizava em Princeton, Estados Unidos, chegavam nas cartas que os primos físicos e judeus Agathe e Rudolf Ladenburg -trocavam pouco antes e durante a Segunda Guerra Mundial.
* O misterioso cão filósofo Coisa em Si.
* A soprano que fazia concertos líricos na fazenda e cantava para amenizar a saudade dos amigos, dos parentes que deixou na Europa e especialmente do primeiro amor - um pianista- que morreu lutando na Primeira Guerra Mundial. Também era professora de canto e piano das crianças da colônia e quase todos os dias pela manhã, no curral da fazenda, interpretava uma das árias principais da ópera Madame Butterfly, de Puccini, por que acreditava que a música estimulava Berenice - a vaca leiteira - a produzir mais leite.
* Um casamento judaico realizado em plena mata tropical.
* O drama e os sonhos de uma governanta da família Matarazzo Suplicy.
* A amizade entre uma senhora judia e o pintor Cândido Portinari. O gênio brasileiro da pintura presenteou os amigos refugiados que viviam em Rolândia com 4 óleos sobre tela pintados por ele.
Essas são algumas das histórias que coloriam a vida do grupo de refugiados judeus que encontrou abrigo na terra vermelha do norte do Paraná, nas décadas de 30 e 40 - quando toda aquela região ainda era uma selva. São histórias de resistência contadas no romance A Travessia da Terra Vermelha - Uma saga dos refugiados judeus no Brasil, escrito por Lucius de Mello e editado pela Novo Século.
"Ao vasculhar as memórias desses refugiados fui tocado por um passado vivo que nos remete ao Holocausto enquanto fenômeno político e crime contra a Humanidade." (Lucius de Mello)
A Travessia da Terra Vermelha - Uma saga dos refugiados judeus no Brasil conta a saga das famílias alemãs, judias e cristãs, que fundaram a cidade de Rolândia. Para escrever o romance o autor ouviu, praticamente, todos os descendentes diretos dos pioneiros no Brasil e na Alemanha.
Naquela época a região de Rolândia era uma verdadeira selva. Fugindo da perseguição nazista, os refugiados judeus atravessaram o oceano Atlântico, embarcaram no trem até o Paraná e acabaram encontrando alemães nazistas em plena floresta, no interior do Brasil. O livro mostra fotos das festas que os nazistas realizavam para comemorar o aniversário de Hitler, o contraste entre as bandeiras nazistas e o verde das florestas brasileiras.
Entre os refugiados judeus estavam médicos, físicos, botânicos, artistas, advogados, juristas, professores universitários que foram obrigados a deixar a vida confortável que levavam na Alemanha para plantar mandioca e cuidar de porcos no Brasil.
Ajudados por um ex-deputado do partido católico alemão, pouco antes de Hitler começar a matança dos judeus, eles conseguiram retirar parte do dinheiro que tinham e comprar terras no Brasil. Esse ex-deputado católico também morou no mesmo refúgio com a família.
O livro conta as dificuldades que essa gente teve que enfrentar no meio do mato, as doenças, os insetos, os bichos, o preconceito, a falta de socorro médico, a saudade dos amigos e parentes que não conseguiram fugir e morreram nos campos de concentração. Esse povo acompanhava as notícias da guerra por um único rádio que a polícia política só permitiu que ficasse na colônia porque pertencia a um imigrante polonês.
A Travessia da Terra Vermelha - Uma saga dos refugiados judeus no Brasil é resultado de 4 anos de pesquisa. Durante esse período, Lucius de Mello recolheu diários, anotações, fotografias, cartas, documentos e gravou dezenas de entrevistas. Parte desse material também ilustra o romance que tem apresentação da professora doutora em História da Universidade de São Paulo - Maria Luíza Tucci Carneiro, pesquisadora do LEER - Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação ligados ao Departamento de História da Universidade de São Paulo. Sobre o autor ela diz: "Com artimanhas de escritor experiente, mescla ficção e realidade recuperando o cheiro da terra, o aroma dos chás prussianos requentados em terras brasileiras, as mágoas e as paixões secretas até então silenciadas. É na trama destes interesses velados que os preconceitos ganham forma e a coletividade deixa saber exatamente quem ela é.".
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