Rainbow Rowell na TIME

mar 09

      Rainbow Rowell, autora dos bestsellers Eleanor & Park, Fangirl e Anexos, concedeu uma entrevista para a revista TIME e falou sobre o sucesso dos seus livros, o inédito Carry On e a quantas andam as filmagens da tão aguardada versão cinematográfica de Eleanor & Park.

       Traduzimos a entrevista para você ficar por dentro de todas as novidades. Confira!

TIME: Em qual categoria você colocaria o seu novo livro?

RR: Eu acho que é apenas uma ficção normal. Algumas pessoas têm dito, “Ah, você está escrevendo uma fanfic do seu próprio livro!”, mas eu não o encaro com uma fanfic. Diria que está mais para um livro referência. Porque mesmo que o Simon Snow seja um personagem fictício do universo de Fangirl, eu ainda tinha que contar a história dele. Eu ainda o sinto como sendo o meu personagem.

 

TIME: Como está sendo escrever o seu primeiro livro de fantasia?

RR: Eu sempre li muita fantasia e ficção científica, mas antes de Fangirl eu nunca tinha pensado que poderia escrever um livro desse gênero. Talvez porque eu tenha trabalhado muito tempo em um jornal, eu nunca senti que pudesse deixar fluir esse tipo de texto. No processo de escrita do Fangirl, as partes que eu mais gostava eram as do Simon Snow. Elas surgiam muito facilmente. Ninguém dizia, “Essa parte da fantasia é chata”, então eu pensei, “Talvez eu possa fazer isso”. Minha mente estava pronta para entrar nesse universo.

 

TIME: O Carry On irá partir dos elementos de Simon Snow que não foram mostrados em Fangirl?

RR: Realmente não foi mostrado muita coisa no livro. O Simon Snow  que eu escrevi em Fangirl era diferente.  Quando eu estava escrevendo como Gemma T. Leslie (autora fictícia da série Simon Snow), eu vislumbrei essa coisa de literatura infantil britânica e empreguei uma narrativa infantil bem tradicional. Quando eu estava escrevendo como Cath eu usava a mesma narrativa que uma adolescente com talento para escrever usaria. Nenhuma dessas vozes era minha. Quando comecei a escrever o meu Simon Snow foi mais no estilo de como eu trabalharia o personagem.

 

TIME: Os personagens de Simon Snow fazem uma pequena participação em Fangirl, mas com base nas fanarts e fanfics criadas, eles são tão amados quanto os outros personagens.

RR: Para as pessoas de fandom isto é na verdade o ideal. Algumas vezes os personagens que as pessoas mais gostam nos fandoms são aqueles tipo o Draco Malfoy. Você pode fazer muita coisa com Draco porque não tem muito dele nos livros do Harry Potter. Você sabe um pouco sobre a vida dele, mas têm muito mais coisas que podem ser exploradas.

 

TIME: Imagino que criar um mundo mágico onde tudo é possível deve ser incrivelmente divertido, mas também estressante.

RR: Realmente tudo é possível, mas também não quero que a história fique apenas como as outras. Gostaria de pensar: que tipo de “coisas mágicas”, que sejam de domínio público, toda história fantástica tem? E o que é muito parecido com aquele livro que eu li na sexta série? Eu ficaria presa e teria que lembrar a mim mesma que eu realmente não sei como a mágica funciona nas minhas histórias de fantasia favoritas. Eu não sei como a Força funciona, e quando George Lucas tentou me explicar foi muito decepcionante. Eu ficaria muito confusa se tivesse que falar especificamente sobre a mágica presente em Harry Potter ou em O Senhor dos Anéis. Tento não me preocupar muito sobre como funciona. É mágica! Não existe uma explicação racional para a mágica! Eu só tento ser consistente. Dá errado quando você quebra as regras que você criou.

 

TIME: A opinião das pessoas sobre fandom e fanfic tem mudado desde que Fangirl foi lançado?

RR: Já estava mudando. É uma coisa tão grande e tão conhecida que eu não acredito que ficará como uma contracultura. Quando escrevi Fangirl tive que explicar para muitas pessoas o que era fanfic, e hoje eu não preciso mais. Isso irá continuar graças a geração do Harry Potter que está crescendo. A geração Harry Potter é aquela onde as fanfics ficaram conhecidas. Mesmo que você não escrevesse uma fanfic, você sabia que existia porque já era mais familiarizado com a internet. E da mesma maneira Cinquenta Tons de Cinza introduziu muitas pessoas no conceito fanfic, mesmo que tenha sido com uma ideia errada.

 

TIME: Você obviamente não tem medo de fanfic como alguns outros autores, mas produtos como Cinquenta Tons de Cinza tiraria você do sério se alguém fosse em uma direção que você talvez não aprove, ou se  alguém ocultasse o seu próprio trabalho?

RR: Se ninguém dissesse que é uma fanfic de Crepúsculo, na minha opinião, você nunca diria que aqueles personagens são Bella e Edward. Eu não sei como a Stephenie Meyers se sente. Talvez ela ache que é bem parecido. Eu vejo como uma semente que foi plantada bem longe do material de origem. Eu não acho que as ideias são tão claras e individuais quanto nós achamos que sejam. Tudo, de certa forma, é derivado de alguma coisa. O que você escreve é frequentemente uma reação ou resposta às coisas que você tem lido. Eu tenho lido fantasia a minha vida inteira, então quando sentei para escrever a minha, eu estava respondendo a todos aqueles conceitos sobre o que é ser o escolhido, o que significa ter o dom e a responsabilidade da mágica. Com certeza existem fanfics que levam os meus personagens em direções que eu não imagino para eles – a maioria delas. Eles levam para um caminho longe do que eu tracei. Mas isso realmente não me incomoda.

 

*A entrevista original você pode conferir no link: http://time.com/3714753/rainbow-rowell-interview/

 

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